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FLoRbELa EsPaNcA  (PeLoS CaMiNhOs Da FoTo-PoEsiA) escrito em sábado 08 dezembro 2007 02:30

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Florbela Espanca

(1894-1930)

Poetisa Portuguesa.

Minha Culpa

Sei lá! Sei lá! Eu Sei lá’ bem
Quem sou? Um fogo-fatuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois alem!
Sei la’ quem sou? Sei la’! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!…

Sou um verme que um dia quis ser astro…
Uma estatua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor…

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador…

 

Seus versos de aparência parnasiana expressam um erotismo e uma liberdade pioneiros na poesia de seu país.

Poetisa de um lirismo fortemente marcado por sua terra, Florbela Espanca pôs em versos de aparência parnasiana o erotismo e a liberdade que expressou e assumiu pioneiramente, na obra como na vida.
Florbela de Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa, no Alto Alentejo, em 8 de dezembro de 1894. Como seu irmão Apeles, era filha ilegítima e cresceu na charneca, espécie de caatinga alentejana. Em 1908 a família se mudou para Lisboa: quando publicou o Livro de mágoas (1919), a poetisa já estava casada e cursando direito. Instável, casou-se mais duas vezes e, em correspondência de sentido ainda controverso com o irmão, parece distingui-lo como sua paixão mais verdadeira. Apeles, que se tornara aviador, desesperou-se com a morte de uma namorada e mergulhou em picada no Tejo.
Na poesia de Florbela Espanca, que se reafirma no Livro de sóror Saudade (1923) e sobretudo em Charneca em flor (1930), a efusão lírica é de sensualidade luminosa e ousada para a época. Sonetista excelente, Florbela expressa suas emoções em linguagem telúrica, de imagens fortes, impregnadas de verdade física e arrebatamento. Apresenta, como Sá-Carneiro, uma nostalgia da realeza e da pompa que é a um tempo pessoal e coletiva, como se Portugal se exprimisse em sua voz. Florbela Espanca se matou em Matosinhos, em seu 36º aniversário, 8 de dezembro de 1930.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

Interrogação

Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!

 

Homenagem do

Espaço Cultural Casa do Fernando

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