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RaCiSmO MaDe iN BrAziL  (PeLoS CaMinHoS SoCiAiS) escrito em terça 20 novembro 2007 08:14

Blog de fernandobarbosaesilva :FeRnAnDo BaRbOsA e SiLvA... oN tHe RoAd, RaCiSmO MaDe iN BrAziL
Racismo made in Brazil

O equívoco comum, bastante praticado, ao se abordar a questão do racismo no
Brasil é o de compreendê-lo como igual ou similar ao de países com outras
histórias e tradições. A eterna comparação com os EUA, outro gigante territorial e
populacional do Novo Mundo, fez com que muitos relativizassem ou negassem a
existência de racismo no Brasil, ao contrário de entendê-lo dentro de suas especificidades.
De modo mais raro, a comparação com o finado apartheid sul-africano colocou o mesmo
país, para os mais incautos, como pátria da tolerância racial.


Luís Carlos Lopes

gdimen@uol.com.b r

 

A mulher trabalhadora é o negro de saias

 

No final da década de 80, a mulher recebia 54% do salário homem.

Significa dizer que, no mercado de trabalho, duas mulheres valiam pouco mais do que um homem.

Melhorou: hoje, são 65%. Ou seja, aproximadamente uma mulher e meia equivalem a um homem.

Até mesmo nas profissões mais bem remuneradas, com exigência de diploma de ensino superior, ambientes supostamente mais arejados, a defasagem é expressiva. Mais precisamente, segundo Dieese/Seade, 30%.

Nesse 1º de Maio do milênio, a ser comemorado amanhã, a situação da mulher é um símbolo da discriminação no trabalho, refletindo os valores e preconceitos de uma sociedade.

Se, no Brasil, o trabalhador, apesar de todos os avanços, ganha, no geral, mal, está cercado pelo desemprego e subemprego, desfruta de uma indigente rede de proteção social, os grupos vulneráveis são ainda mais pisoteados.

Pela medida dos salários, a mulher, apesar de ter, hoje, escolaridade mais elevada do que os homens, é ainda vista como um ser inferior. Exatamente como os negros.
*
O Brasil gosta de se imaginar uma nação sem racismo. Não é o que mostram os números do mercado de trabalho, a verdadeira prova de quem é valorizado ou não numa sociedade, via salário ou nível de emprego.

Com olho nas questões de gênero e raça, o Dieese analisou os salários e nível de emprego das cinco regiões metropolitanas do país, além do Distrito Federal ( São Paulo, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre).

A maior taxa de desemprego ocorreu em Salvador, apresentada como a capital do orgulho negro: 45% maior do que a dos brancos.

São Paulo não fica muito longe: 41%. Melhor posição está Distrito Federal: 17%. Tradução: é mais provável um negro do que um branco ficar desempregado, mesmo que tenha o mesmo nível de escolaridade.
*
Quando se analisam os rendimentos, vemos como o negro se aproxima da discriminação contra a mulher.

De acordo com o Dieese, o salário médio de um negro é, em São Paulo, aproximadamente R$ 510. Os brancos ganham nada menos do que o dobro.

Em essência, para o mercado de trabalho dois negros valem um branco.

Na lógica da fragilidade, a hierarquia coloca no topo, pela ordem, homem e mulher brancos e, depois, homem e mulher negros.

A mulher negra sofre, portanto, por ser mulher e por ser negra. Uma mulher negra, em São Paulo, ganha por mês R$ 400.

Na fria tradução comercial, duas e meia mulheres negras equivalem a um homem branco.
*
Esses números da discriminação ajudam a entender uma das mais devastadoras chagas nacionais: a má distribuição de renda.

Estatísticas internacionais costumam colocar o Brasil como um dos campeões em má distribuição de renda. Os economistas debatem sobre as várias razões para a vitória brasileira nesse campeonato como, por exemplo, a inflação que corroeu os salários, a baixa escolaridade, o modelo de industrialização, a incompetência dos investimentos sociais dos governos, o auxilio aos mais ricos com dinheiro público, e assim por diante.

Em maior ou menor grau, todos esses fatores devem mesmo pesar.

Pouco se comenta, porém, sobre o fator preconceito como um dos geradores do ciclo vicioso da miséria e, portanto, da má distribuição de renda.

Obviedade: se somarmos mulheres e negros temos a imensa maioria da população brasileira.

Logo, se eles são discriminados no salário e emprego, acabam por afetar a distribuição de renda.
*
Se pouco conseguimos avançar em proteção social do trabalhador no Brasil, conseguimos menos ainda nas categorias mais vulneráveis como negros, mulheres e, especialmente, crianças.

Melhor prova dessa falta de proteção foi o censo escolar, divulgado semana passada, pela Folha Online: apenas 2% (repetindo, 2%) das escolas públicas têm acesso à Internet.

É na escola pública onde se nutre a discriminação que vai perdurar por toda a vida.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/gd300400.htm

 

20 de Novembro

Dia Nacional da Consciência Negra

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1 comentário(s)

  • Vandia

    Qua 21 Nov 2007 01:25

    Belos textos, bem atuais.
    Parabéns pela escolha!


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