O QuE É UmA PrAçA?
Espaço Cultural Casa do Fernando
Apresenta
A praça “Amintas”
O Retrato fiel do abandono e maus tratos ao
Patrimônio Histórico e Cultural de nossa comunidade padreustaquiana.
O que é uma praça? É aquele ponto de referência em uma cidade ? Um lugar público por definição. A praça, na Grécia Antiga chama-se Ágora , e era da maior importância nas manifestações dos cidadãos da Pólis (cidade). A praça era o palco da experiência humana por excelência. Lugar de expressão pública, lugar de debate. Acho que se tivéssemos que fazer uma analogia entre uma praça e um corpo humano, eu colocaria a praça no coração da cidade. Lugar onde as emoções fervem. Me lembro da praça onde ocorreram estas cenas de minha vida, claro que houveram várias praças vida afora. Mas uma em particular ocupou como palco central muitas emoções e nela vi tantas outras manifestações da experiência humana. Esta experiência tão impar para cada um de nós. Mas compartilhamos lugares comuns no transito da cidade, no transito da vida, no curso das coisas, por assim dizer. Nessa praça, vi, ainda menino, uma fonte luminosa. Confesso tê-la visto funcionando uma única vez. Lembrança vaga e fugidia na fumaça do tempo. Várias outras porém perfilam, como cenas de cinema, montando quadros aleatórios das lembranças da experiências da infância, da adolescência, da vida adulta, do tempo. O tempo que eu experimentei, o tempo que se passa em nós, o tempo que se tem para viver. As cenas da vida que compõe o quadro da sua história. Nessa praça, me lembro da fonte sendo lentamente abandonada, até que em seu entorno não existiu Nada mais do que somente um buraco que tanto tempo durou. Mesmo que por um tempo ficasse tão feia, não era o impecilho para que os moleques de bicicleta viessem barbarizar com suas bikes o espaço público, naquela época o espaço público era entendido como espaço de ninguém. Na verdade, parece que até hoje. Mas aos moleques que me refiro, eu também estava no meio, e aquele comportamento nada mais era do que uma manifestação em rompante dos hormônios juvenis. Vi outras gerações, antes e depois da minha fazerem mais ou menos a mesma coisa. Eu a vi sendo reformada, vi o comércio a sua volta passar pela ação do tempo. Portas mudarem, portas crescerem. A vida econômica da cidade da cidade faz parte direta das manifestações da vida das pessoas. Vi ainda, na época dos hormônios pulando, as belas moças na pizzaria, ali era um lugar de ver as beldades locais. Lugar onde o amor começava a surgir nos olhares furtivos, ainda meio tímidos pela inexperiência, mas deliciosos, olhares inaugurais das primeiras manifestações do amor. Alguns não sabiam que estavam ali olhando para seus futuros parceiros, seus cônjuges. O pai ou a mãe dos seus futuros filhos. O tempo foi passando, alguns foram embora, outros permaneceram, chegou gente nova. E no meio da gente nova que chegou, chegaram os filhos. Os nossos filhos. Que vão até a praça para poder brincar. Os filhos que como seus pais usufruíram do espaço físico da Polis, da cidade, o coração da cidade, quem sabe? Os pais que experimentam apreensivos e zelosos os primeiros passos cambaleantes de seus filhos. Muitas vezes esses passos são dados na praça. Naquele momento em que a criança começa a se socializar. Começa a compartilhar como sujeito social, seus passos como um futuro homem. Mas esta praça é uma praça que tem um valor afetivo, um valor “do coração”. Ela não é o único coração deste bairro, nem desta cidade, mas ela é um lugar que tem um grande peso, um grande valor, no coração de muitas pessoas. Um dia desses meu coração ficou de novo apertado de emoção nesta praça. Estava indo trabalhar, e vi de repente as pessoas olhando curiosas para a Rua Coronel José Benjamim. Parei para ver o que era. Vi, com os olhos mareados, um grande grupo de crianças caminhando para a praça. Era uma manifestação cívica, uma manifestação de apoio ao Brasil, acho que eles estavam torcendo para o Brasil na Copa algo assim. Os professores os acompanhavam, e de repente a praça ia ser invadida por um grupo enorme de crianças, que vinham apitando pela rua, balançando bandeiras, e demonstrando sua inserção no espaço social, inaugurando seus passos como um sujeito na cidade. Já estava achando a cena linda por si só. Mas fiquei realmente mais emocionado quando vi no meio da criançada meu filho junto. Tive um misto de sensações intensas. Achei o que já era maravilhoso ainda mais belo. Aquele tanto de crianças, com todas as suas cores e alegria, com seu barulho em algazarra, bando de pardais . As crianças experimentando essas emoções inaugurai, de fazer parte, de serem reconhecidos, de se manifestarem. Fiquei parado e perplexo por um tempo me deliciando com aquela cena que pretendo que nunca se apague da minha retina. Essa cena foi aqui nesta praça. A mesma praça da minha infância. A praça da infância do meu filho, dos nossos filhos. A praça como um lugar público. Lugar de manifestação. A praça como palco das cenas da vida. A praça por ser pública é o lugar de todos nós.
by Anderson Matos
Psicólogo
Primavera de 2006
Espaço Cultural Casa do Fernando
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2003 / 2007
4 Anos de Produção Artística & Cultural
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